quarta-feira, 25 de maio de 2011

Fanfinction- "A nova Era" Capítulo 1- Dois lados de vida

Os gritos da discussão que ocorria em minha casa faziam-se ouvir pelo bairro inteiro. Eu ainda não tinha chegado a casa e já a ouvia ao chegar-me perto da porta. As lágrimas vieram-me aos olhos mas contive-me a não chorar. Subi as escadas de acesso ao meu apartamento e descalcei antes de entrar. O meu pai olhou-me, com os seus olhos frios como gelo, de alto a baixo e saiu de casa sem dizer uma única palavra que fosse. O estrondo da porta a fechar-se ecoou pela casa inteira. Eu espreitei para dentro da cozinha onde tinha ocorrido a discussão. A minha mãe estava sentada numa cadeira com as palmas das mãos a tapar-lhe os olhos, os seus soluços faziam-me vontade de chorar. Corri para o quarto onde me fechei e sentei-me num canto, com o meu bloco de desenho na mão. Pensei ir até ao pequeno pinhal que havia em frente à minha casa onde podia desenhar sem me interromperem. Ouvi a porta da rua a bater novamente. “Foi ele que entrou ou a minha mãe que saiu?” fiquei aterrorizada com o pensamento do meu pai ter voltado. Arrastei-me até a cozinha que estava vazia. Abri e fechei cada porta da casa mas ninguém estava. Senti-me por um lado aliviada mas com medo do que a minha mãe pudesse fazer.
Libertei-me da farda da escola e vesti um vestido azul que me dava pelos joelhos. Calcei os sapatos da escola e corri para fora de casa. Dei uma volta pelos arredores e dirigi-me, automaticamente, ao pequeno pinhal. Nesse pinhal havia um poço muito antigo. Sentei me ao pé dele a pensar o que podia ter acontecido entre os meus pais. Embora as discussões não passassem da mesma as dívidas e o álcool. Era sempre o tema-problema das discussões entre eles.
As horas passavam e o sol começava a pôr-se atrás dos prédios. Levantei-me e sacudi-me mas de repente um vento forte encheu o ar e obrigou-me a fechar os olhos e a recuar em passos cuidadosos mas acabei por tropeçar e cair dentro do poço. O meu grito abafado ouviu-se em todo o poço mas ninguém o ouviu do lado de fora. O poço parecia não ter fim e quando aterrei acabei por desmaiar.
Abri os olhos lentamente e pestanejei várias vezes para focar a imagem. Sentei-me no fundo do poço, a minha cabeça doía-me. Subi pelo poço acima escalando as pedras que constituíam o poço. Cheguei ao de cima e a noite já estava avançada. Olhei em redor e parecia que amontoado de prédio tinha desaparecido apenas uma floresta estava à minha volta. Fiquei assustada e comecei a olhar em volta com mais rapidez que dantes. Os meus olhos pareciam estar a ser bombardeados por imagens de um livro. Ouvia-se o som do rio que corria ali perto, segui o som com a esperança que encontrasse alguém. Eu avistei o rio mas a floresta permanecia e nem uma casa se encontrava por perto. Ajoelhei-me à beira do rio e lavei a cara que se misturaram com as gotas de suor que corriam pelo meu rosto.
Ouvi uns passos rápidos por detrás de mim, a vir na minha direcção. Olhei para trás mas o rapaz saltou-me para cima fazendo-me cair, brutamente, de costas no chão. Pestanejei e o seu olhar parecia surpreendido. O rapaz aparentava ter a minha idade, de cabelos negros compridos que caiam sobre a minha cara, uns olhos doces, negros e surpreendidos olhavam para mim com atenção. O rapaz vestia umas roupas vermelhas que pareciam um conjunto de gerações atrás. Eu estava bastante assustada. A sua espada, apontada ao meu pescoço tremia. Os seus lábios soltaram uma pequena palavra que me deixam confusa.
-Kyou? – Foi a palavra que ele dissera. Os seus olhos começaram e fechar-se e ele desmaiou em cima de mim. Os meus olhos arregalaram-se. Tirei-o de cima de mim e puxei-o até uma grande árvore que havia ali perto. A sua camisola estava ensopada com sangue que escorria pelo seu ombro. Rasguei um pouco do meu vestido e enrolei em volta do seu ombro. Sentei-me ao seu lado esperando que os seus negros olhos abrissem.

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